Acesso a medicamentos na Polônia

a person with MS is being interviewed by the press. They are in the street and there is a reporter and a camera man

Até o ano passado, os portadores de esclerose múltipla na Polônia tinham acesso limitado a tratamento de primeira linha. Os pacientes podiam solicitar o reembolso do tratamento junto do Fundo Nacional de Saúde, mas apenas durante cinco anos. Depois desse período, eles tinham de financiar o tratamento sem qualquer ajuda do governo.

Dominika Czarnota da Polskie Towarzystwo Stwardnienia Rozsianego (a Associação Polonesa de Esclerose Múltipla) disse: “Essa situação levou à interrupção do tratamento adequado e, consequentemente, à deterioração da qualidade de vida de várias pessoas com EM.”
Essa situação era intolerável para pessoas como Małgorzata, 34 anos, que afirmou: “Foi devastador para mim ter de parar de tomar a medicação. Já comecei a sentir os primeiros sintomas pelo fato de ter interrompido o tratamento – o lado direito do meu corpo fica dormente e tenho problemas de visão. Tenho medo de ter uma recaída. Não quero ficar incapacitada.”

Com base na experiência de pessoas como Małgorzata, a Associação Polonesa de Esclerose Múltipla se juntou a outras organizações de pacientes para fazer pressão sobre o Ministério da Saúde da Polônia e o Fundo Nacional de Saúde. Eles escreveram para essas entidades e entraram em contato com a mídia, para promover a conscientização sobre a situação dos pacientes com EM que não podiam pagar seu tratamento de primeira linha.

a woman is being interviewed by a reporter who holds a large microphone
Magdalena from the Polish MS Society talking to the press

Eles receberam o apoio de pessoas como Anna, 28 anos, que disse: “Em fevereiro, terminei os cinco anos do meu programa de tratamento custeado pelo governo. O tratamento foi eficaz, porque durante cinco anos não tive recaídas nem foram detectadas lesões pela ressonância magnética. Dou todo o meu apoio à luta da Associação Polonesa de Esclerose Múltipla para ajudar pessoas como eu.”

As cartas enviadas para o Ministério da Saúde e para o Fundo Nacional de Saúde tinham colocado a questão do financiamento na agenda. Mas foi uma coletiva de imprensa nacional, que teve lugar em Varsóvia em fevereiro de 2014, que começou a chamar a atenção do público para esse problema, diz Dominika: “Antes da coletiva, a nossa causa não tinha muita projeção. Depois disso, o Ministério da Saúde quis discutir o problema conosco. Os políticos têm medo da mídia.”
Na coletiva de imprensa, o presidente da Associação Polonesa de Esclerose Múltipla, Tomasz Połeć, disse que o término do limite de cinco anos para receber terapias de primeira linha seria o ponto de partida para as Normas Europeias de Tratamento.
Na coletiva de imprensa estiveram presentes profissionais de saúde e portadores da doença, que falaram sobre o impacto das restrições de financiamento em suas vidas. Além disso, também estiveram presentes as principais emissoras de televisão e rádio. Esse fato aumentou de tal forma a pressão sobre o Ministério da Saúde que, em julho de 2014, as restrições foram levantadas. Embora o reembolso de tratamentos de segunda linha ainda esteja limitado a cinco anos, os pacientes com esclerose múltipla na Polônia já têm acesso ilimitado a tratamento de primeira linha.

Dominika diz: “Esse desfecho teve uma enorme importância, porque todas essas medidas permitiram que os portadores de esclerose múltipla possam usar terapias de primeira linha sem restrições de tempo. Essa situação mudou a qualidade de vida desses pacientes de forma significativa e lhes deu uma chance para um futuro mais seguro.”